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O Sporting Clube de Braga de Zurique vai comemorar o seu primeiro aniversário no próximo mês de Junho. Tem 25 jogadores federados e disputa a 4ª Liga de futebol do cantão de Zurique. Todos os elementos da direcção apostam na evolução desta equipa como forma de elevar o nome do Braga em terras helvéticas.
Jorge Sousa, 38 anos de idade, natural da Póvoa de Lanhoso, é o presidente desta simpática colectividade.
A. Sá — Como é que aparece como presidente do Sporting de Braga de Zurique? Jorge de Sousa -- Aconteceu no seio de um grupo de amigos em que resolvemos fazer algo pelo nome do Braga em Zurique. E no espaço de poucas semanas conseguimos inscrever uma equipa e devo referir que graças ao André Ferreira. A. Sá — Quais são as maiores dificuldades em gerir um grupo como este? Jorge Sousa — Não é fácil. Por muito bem que queiramos fazer nunca o conseguimos nem é fácil agradar a toda a gente. É muito complicado. Temos muito pessoal jovem que por vezes não são tão tolerantes como deveriam, e eles não imaginam o sacrifício que uma pessoa tem em levar para a frente um projecto como o de Braga. E todos os jogadores têm as mínimas condições para jogarem a bola. A. Sá — Defender as cores do Braga na Suíça é inédito? Jorge Sousa -- É o meu grande objectivo. E como disse é inédito, dado que somos o único clube filiado do Sporting Clube de Braga. O Braga é o meu clube preferido por natureza e estamos a preparar uma grande festa para festejar o primeiro aniversário, que se vai realizar no próximo dia 14 de Junho, onde vamos contar com a presença de uma comitiva do nosso grande Braga Clube.
Falamos com o jogador Luís Machado, 27 anos de idade, natural de Fafe e é ponta de lança nesta equipa
A. Sá — É muito difícil jogar numa equipa como a do Braga? Luís Machado -- No início foi muito difícil para se conseguir vinte e tal jogadores até porque existem quatro equipas em Zurique. Para se ter uma equipa competitiva é muito complicado. A. Sá — E é difícil marcar golos para um ponta de lança? Luís Machado — Difícil não é. Temos que ser um todo para alcançarmos o que desejámos… A. Sá — Mas o Luís é o melhor marcador desta equipa? Luís Machado — Parece que sim, tenho 8 golos marcados esta época. A. Sá — Como é jogar na 4ª Liga? Luís Machado -- É muito competitivo dado que as equipas estão bem preparadas e muitos dos jogadores já jogaram noutras Ligas mais superiores. O que se passa é que muitos jogadores querem logo jogar à bola e isso não é possível, primeiro há que aquecer os músculos para evitar uma surpresa desagradável.
O Orlando Bruno é um dos jogadores com mais experiência deste plantel. Já foi jogador profissional em Espanha, jogou no Huelva, e em Portugal, jogou no Sta Clara, , e as vicissitudes da vida trouxeram-no até à Suíça. Tem 33 anos e é natural de Lisboa.
A. Sá — Como é que chegou até ao Braga? Orlando Bruno — Cheguei ao Braga por intermédio do André. Quando cheguei à Suíça era para assinar pelo Sporting de Zurique, mas depois o André ofereceu-me trabalho e então decidi assinar pelo Braga. A. Sá — Como é que um jogador com uma vasta experiência profissional vem acabar num clube na Suíça? Orlando Bruno -- O Bichinho do futebol nunca sai. Eu vim para a Suíça com outros objectivos, ou seja de endireitar um pouco aquilo que estraguei ao longo destes anos todos. E estou aqui para ajudar este grupo, que ainda não está habituado a estas coisas… A. Sá — Deve ser muito diferente? Orlando — Muito. Existem muitos jogadores que não percebem nada disto, não têm cultura táctica e têm muito que aprender… A. Sá — O Orlando pode ser uma mais valia para eles? Orlando Bruno — Tento dar o meu melhor e tento fazer com que eles aprendam alguma coisa que foi o que eu aprendei ao longo da minha experiência profissional. Mas é difícil até por via das mentalidades e de alguns exageros. A. Sá — Aspira jogar num clube com outras dimensões na Suíça? Orlando Bruno — Se tiver a oportunidade, claro que sim.
André Ferreira, director do departamento de futebol, tem 28 anos, nasceu em Visp, Valais, e fez a ligação do Industrie ao Sporting de Braga, para que este pudesse disputar a 4° Liga esta época.
A. Sá — Quais são as maiores dificuldades para um director deste clube? André Ferreira — Uma das maiores dificuldades foi conseguir os patrocinadores, dado que uma equipa de futebol custa dinheiro. Outra dificuldade é gerir um plantel de trabalhadores, que ao mesmo tempo gosta muito de jogar à bola. Depois é conseguir os campos para os treinos, conciliar os horários para que estes possam vir treinar… A. Sá--- Quanto custa uma equipa ao ano como a do Braga? André Ferreira — Cerca de 25 mil francos ao ano. Felizmente conseguimos alguns bons patrocínios, que nos deram a possibilidade de termos bons equipamentos para oferecer aos jogadores. A. Sá — Quais são os objectivos do Braga? André Ferreira — Em primeiro lugar ser autónomo. Ou seja, não necessitar de um outro clube para poder participar na Liga, o outro grande objectivo é formar camadas jovens do clube. Dar a oportunidade aos jovens de jogar com a camisola do Braga.
O treinador desta equipa é o Pedro da Mota, natural de Santa Maria da Feira e tem 32 anos. Tomou conta da equipa no passado mês de Janeiro. Uma lesão grave aos 16 anos ao serviço do Fiães SC tirou-lhe a possibilidade de ir mais além como jogador.
A. Sá — Como é que encontrou a equipa e como é que se encontra neste momento? Pedro Mota -- Quando começamos não tínhamos os jogadores todos, mas neste momento podemos dizer que já temos a equipa base para poder enfrentar esta segunda volta. Esta equipa dá-me garantias de fazer um bom campeonato. A. Sá — Quais são os objectivos? Pedro Mota — O objectivo principal é a manutenção, mas que vier por acréscimo é bem-vindo. Vamos ver qual vai ser o nosso desempenho. A. Sá — As maiores dificuldades em gerir um grupo de trabalho como este? Pedro Mota — Diferentes maneiras de ser, diferentes modos de ver a cultura do futebol dado que não existem profissionais num plantel desta natureza. Por isso é difícil gerir algum tipo de situações que por vezes acontecem nos balneários e nos treinos. A. Sá - Sendo amadores têm a responsabilidade de dar o seu melhor? Pedro Mota -- Sim pelo menos tento incutir neles o espírito de vitória pars que possam dar o melhor, ou seja, os sucessos são do colectivo. A. Sá — Como é a nível de disciplina? Pedro Mota-- É complicado por vezes, mas neste momento não há casos… A. Sá — Até onde pode ir esta equipa? Pedro Mota — Pode aspirar a fazer um campeonato tranquilo e manter-se na quarta Liga. No entanto eu sei que os planos da direcção do Braga é ir um pouco mais além. Se criarem o mínimo de estruturas, pode ser uma realidade a curto prazo.

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