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Filho és, Pai serás

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Eu fiquei estupefacto com uma triste notícia que últimamente fez manchetes  nos meios de comunicação social.,(abandono de  pais em hospitais). Penso que o caso não é para menos e, das duas uma, ou eu, com o meu meio século de vida fiquei antiquado ou então a família deixou de ter valor.

Tenho a sorte de ainda ter vivos os meus pais, aos quais aproveito para declarar o meu amor e pedir desculpa por nos últimos trinta anos ter passado tanto tempo sem os ver e apoiar. No entanto fico envorgonhado ao saber que tem gente que abandona quem lhes deu a vida porque estão velhos ou até incapacitados.

Sinto-me tentado a utilizar a velha expressão  “Ao que este mundo chegou” para mostrar a minha indignação com aqueles que últimamente e, aproveitando a crise, estão abandonando os procriadores em estabelecimentos hospitalares.

Senhores  estes idosos que vocês estão abandonando deram-vos a vida. Mas não só. Algumas vezes terão deixado o trabalho porque vocês estavam doentes, outras vezes ficaram sem dormir porque vocês, provavelmente com uma cólica, não deixaram dormir ninguém ou ainda , pelos parcos recursos financeiros de que dispunham passaram fome e,  comeram o pão que o diabo amassou para que a vós não falta-se uma refeição melhor. Senhores (se é que merecem este nome), estas pessoas são quem vos concebeu ou quem durante nove meses vos carregou no seu ventre. Estes sim que são Senhores com letra maiúscula. Estes sim que merecem o respeito do mundo.



Nos velhos tempos havia uma terra onde os filhos costumavam levar os pais velhos, que já não podiam trabalhar, para o cimo de um monte, onde ficavam sozinhos, para morrer à míngua. Certa vez ia um moço do lugar levando o velho pai às costas, para abandoná-lo. Chegando ao ponto em que ia deixar o ancião, colocou-o no chão e deu-lhe uma manta para que se abrigasse do frio até a hora da morte.

E o velho perguntou :

- Tens por acaso uma faca contigo?

- Tenho, sim senhor. Para que a quer?

-Para que cortes ao meio esta manta que me estás dando. Guarda a outra metade para ti, quando teu filho te trouxer para este lugar.

O moço ficou pensativo. Tomou o pai às costas e voltou com ele para casa, fazendo assim, com que o horrível costume desaparecesse para sempre.




Eu  penso que o internamento hospitalar se necessário, seja de fazer, porém abandonar estas pessoas naquele local rejeitando a alta clínica, rejeitando-lhes aquele que poderá ser o último Natal em famíla, merece o meu repúdio.
Eu sei que os tempos que correm são difíceis mas pergunto: será que as pessoas que os abandonam, aproveitando a propalada crise não estão a usar de esperteza saloia? Não será que se estão a aproveitar da crise para se livrarem de pesos incómodos, não adequados à sua maneira de viver? Será que  prescindiram de alguma das regalias ou mordomias que diariamente utilizam? Talvez não, talvez tenham pensado que o dinheiro que iam utilizar com aqueles velhotes, que tanto estão a chegar ao fim da estrada,  vai fazer falta para mudar de carro no fim do ano, ou para comprar a nova TV, ou até para a próxima jantarada com os amigos, ou outras despesas supérfluas.



Uma senhora de idade avançada foi morar com o filho, a nora e a netinha de 4 anos. As mãos da velhinha estavam trémulas, sua visão embaçada e os passos, vacilantes.

A família comia reunida à mesa. Mas as mãos trémulas e a visão falha da senhora a atrapalhavam na hora de comer. A soja rolava de sua colher e caía no chão. Quando pegava a tigela, o missoshiru (sopa à base de pasta de soja) era derramado na toalha.

O filho e a nora irritaram-se com a bagunça: - Precisamos tomar uma providência com respeito à mamãe”, disse o filho.

- Já tivemos suficiente sopa derramada, barulho de gente comendo com a boca aberta e comida pelo chão.

Então, eles decidiram colocar uma pequena mesa num cantinho da cozinha.

Ali, a senhora comia sozinha, enquanto o resto da família fazia as refeições na sala, com satisfação.

Desde que a velhinha quebrara uma ou duas tigelas de louça, sua comida era servida numa tigela de madeira. Quando a família olhava para a velha senhora sentada ali sozinha, às vezes notava que ela tinha lágrimas nos olhos.

Mesmo assim, as únicas palavras que lhe diziam eram admoestações ásperas quando ela deixava um palito ou comida cair ao chão. A menina de 4 anos assistia a tudo em silêncio.

Uma noite, antes do jantar, a mãe percebeu que a filha pequena estava no chão, manuseando pedaços de madeira. Ela perguntou delicadamente à criança: “O que estás a fazer?”

A menina respondeu docemente:

- Oh, estou fazendo uma tigela para você comer, quando eu crescer.

E a garota sorriu e voltou ao trabalho.



O ditado “Filho és pai serás” cuja lenda juntamos nas versões portuguesa e chinesa, mostra que esta não é uma lenga lenga lusitana, é amor sem limites de raças ou nacionalidades. Infelizmente  sem algum significado para certa gente.
Segundo as lendas os filhos levavam os pais até ao monte, para ali os abandonarem, mas os tempos mudaram e hoje aquele monte tem outro nome e outra localização. Aos vossos filhos eu recomendo de não vos levar ao hospital mais próximo quando vocês estiverem a ficar velhos e chatos mas sim de vos levar até Zurique na Suíça. Ali na “Dignitas” ou na "Exit" (passe a publicidade), por exemplo, vocês podem pôr fim aos vossos dias talvez com mais dignidade do que aquela que tiveram durante a vida.



 

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