|
Delegação do Vaticano chegou ontem a Lisboa e reuniu-se com autoridades eclesiásticas para traçar o programa da visita de Bento XVI
O Papa celebrará uma missa campal em Lisboa e presidirá às comemorações do 13 de Maio no Santuário de Fátima. Estes deverão ser os dois momentos altos da visita de Bento XVI a Portugal, que arrastarão milhares de pessoas e obrigarão a mobilizar um complexo dispositivo de segurança. O chefe da Igreja Católica - que virá pela primeira vez a Portugal enquanto Papa - deverá estar pelo menos três dias no País, onde se encontrará também com o Presidente da República, Cavaco Silva, e com outras entidades oficiais. Foi este o programa apresentado pelas autoridades eclesiásticas portuguesas à delegação do Vaticano que chegou ontem a Portugal e cá estará até ao final da semana para preparar o evento de Maio. A sugestão da visita foi debatida ontem com o coordenador das visitas papais, o responsável do protocolo do Vaticano e mais uma representante da Alitalia, operadora de viagens italiana. Da parte da Igreja Católica portuguesa, estiveram presentes na reunião de ontem o cardeal patriarca de Lisboa, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga, e o seu porta-voz, o bispo de Leiria-Fátima, o reitor do Santuário de Fátima e o Núncio Apostólico, representante da Santa Sé em Portugal. Nesta viagem de Estado, Bento XVI terá ainda um encontro em Lisboa com um grupo mais restrito de fiéis. "Sabemos apenas que será um encontro particular, mas ainda não podemos avançar com pormenores", afirmou ao DN Manuel Morujão, porta-voz da conferencia episcopal. Em Lisboa, Bento VXI vai celebrar missa num espaço ao ar livre ainda a definir, e para vários milhares de pessoas. Um encontro que exigirá uma organização complexa e que obrigará a montar um enorme dispositivo de segurança. Depois desta eucaristia, seguirá para Fátima, onde vai presidir à cerimónia que assinala a aparição de Nossa Senhora aos Pastorinhos. Um local onde o Papa já esteve no ano 2000, enquanto cardeal Ratzinger e perfeito para a Congregação para a Doutrina da Fé, acompanhando João Paulo II.
Programa ainda em debate
O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, Manuel Morujão, sublinhou ontem que este é ainda um programa provisório. Depois de ter sido proposto à delegação do Vaticano, será agora debatido e aprovado pelos bispos portugueses. Este será, aliás, um dos assuntos em cima da mesa na próxima assembleia plenária da Conferência Episcopal, agendada para o dia 9 deste mês, em Fátima. Depois, o programa será apresentado a Bento XVI, que terá uma palavra decisiva. O esquema final da estadia papal só deverá ficar definitivamente encerrado em Fevereiro, três meses antes da deslocação a Portugal. Uma vez que esta é uma visita de Estado, que surge na sequência de um convite conjunto dos bispos portugueses e da Presidência da República, Bento XVI deverá ser recebido também por Cavaco Silva. O chefe de Governo, José Sócrates, também deverá apresentar cumprimentos ao Chefe da Igreja Católica. É para acertar estes pormenores que a delegação do Vaticano se reunirá, nos próximos três dias, com representantes do Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Presidência da República.
|
Artigo 41.º
Liberdade de consciência, de religião e de culto
4. As igrejas e outras comunidades religiosas estão separadas do Estado e são livres na sua organização e no exercício das suas funções e do culto.