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Relembrando Entre-os-Rios |
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16-Abr-2009 |
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Há pouco mais de oito anos (4 de Março 2001) a ponte Hintze Ribeiro ruiu arrastando para a morte 59 pessoas das quais 36 nunca foram encontradas. As famílias das vítimas durante todo este tempo procuraram que a culpa não morresse solteira, fazendo causas para tentar averiguar o porquê de tamanha tragédia e conseguir o mímimo de justiça. Foram perdendo acções em tribunal porque pelos vistos, aquelas pessoas deviam ter ficado em casa, ninguém os mandou andar a passear e atravessar a ponte naquela altura. Se até aqui já nem admirávamos as decisões sabendo que o sentido de justiça em Portugal atingiu um patamar de compreenção muito elevado e acessível sómente a alguns, agora esse mesmo sentido de justiça acaba de ferir mortalmente a inteligêcia do comum mortal.
Tudo isto para dizer que essa justiça em quem já poucos acreditam e a que poucos têm direito, acaba de dar mais uma prova da sua injustiça. Procura agora que aqueles que perderam os seus entes queridos nunca mais esqueçam o seu desaparecmento, já que foram agora condenados a pagar as custas de processos que nunca desejariam ter feito e que alguns decidiram que nunca deveriam ter sido feitos. Ao que o meu país chegou. A justiça é lenta, mas mesmo assim na maior parte dos casos é injusta. Em tempos de alterações inúteis, tipo acordo ortográfico, será que o conceito de justiça também foi alterado e ninguém nos avisou ou será que para além de não se saber (ou querer?) fazer justiça os nossos juízes e governantes estão também a perder o conceito da honestidade. Às famílias das vítimas de Entre-os-Rios eu apresento o meu sentido respeito pela sua dor e a certeza de que em mais de 10 milhões de portugueses, os únicos que não vos deram razão foram os poucos que vos julgaram. Perdoem-me também esses poucos que julgaram, talvez esteja a ficar antiquado ou então talvez seja verdade que o coração tem razões que a razão, ou será que é o direito, desconhece.
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Actualizado em ( 17-Abr-2009 )
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