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Provavelmente é a única mulher portuguesa instrutora de aulas de condução na Suíça Isabel Leal tem a licença de instrutora de condução desde o ano de 1988. Em Portugal era a sua actividade profissional. No entanto, com as vicissitudes da vida, como acontece um pouco a todos nós na procura de uma vida melhor, emigrou para a Suíça no mês de Agosto de 2004. Inscreveu-se num curso de formação, como ela própria nos relata, e eis que muito provavelmente é a única mulher portuguesa que é instrutora de condução no país helvético, mais propriamente no cantão de Fribourg, onde tem já a sua própria Escola. É casada, 42 anos de idade, mãe de um filho, e é natural da Santa Maria da Feira.
Adelino Sá - Como é que aparece a instrutora na Suíça? Isabel Leal - O meu marido emigrou para a Suíça, um ano antes da minha vinda com o meu filho, e quando aqui cheguei procurei um trabalho fosse ele qual fosse, aliás como todos aqueles que aqui chegam. Como tinha dificuldades com a língua fui trabalhar para um restaurante ao início. Um dia tive que esclarecer sobre alguns assuntos numa escola de Condução, e em conversa, com o senhor que me atendeu soube que eu tinha a licença de instrutora em Portugal. No mesmo momento, ele colocou-me a questão porque é que eu não trocava a mesma pela licença Suíça e prontificou-se em ajudar-me, como veio a acontecer. Assim, dei início a um moroso processo de equivalência… AS - Quando é que isso aconteceu? IL - Iniciei no ano de 2006, no mês de Março, fui aconselhada a seguir uma formação profissional em Lausana, onde fiz os exames no mês de Novembro, mas deixei uma matéria em aberto, a qual terminei no mês de Maio de 2007, que foi também quando comecei a exercer a profissão em pleno. AS - Foi nessa altura que começou a trabalhar por conta própria, ou para uma Escola de Condução?  IL - Aqui na Suíça começa-se logo a trabalhar por conta própria. O que faço é que partilho uma sala para as aulas de teoria com mais 4 instrutores suíços, assim as contas são divididas, mas cada um tem o seu próprio trabalho. AS - Foi difícil para si conseguir alunos? IL - Devo confessar que ao início foi um pouco complicado. As pessoas não me conheciam e não sabiam que eu já tinha muitos anos de experiência. Também ao início não dominava o idioma, o que faço nos dias de hoje. Ao início havia sempre alguém que ficava um pouco na dúvida em relação às minhas capacidades e ao meu trabalho. Felizmente as pessoas passaram a palavra e nos dias de hoje tenho um bom número de alunos. AS - Os seus alunos, são maioritariamente portugueses ou suíços? IL - O meu maior número de alunos são portugueses, mas também tenho suíços, turcos, albaneses e iraquianos. Aparece um pouco de tudo. Felizmente vivemos num país onde vivem muitas nacionalidades e que acreditam nas nossas capacidades e que podemos fazer bem o nosso trabalho. AS - É mais rigoroso na Suíça tirar-se a carta de condução? IL - Cada país tem as suas próprias exigências. Na Suíça existe a grande preocupação de formar bem os alunos, especialmente no campo da segurança. Eu estou de acordo com as exigências que se fazem aqui… AS - É diferente de Portugal? IL - Não quero ir tão longe…o que lhe posso dizer é que os alunos para obterem a sua licença têm mesmo que saber as regras do código e respeitarem todas as regras de segurança, dado que se não for assim não passam… AS - Não se passa isso também em Portugal? IL - Não quero ser má, mas acho que se facilita muitas vezes no nosso país, e não deveria ser assim. Aqui não facilitam e eu acho isso muito positivo. AS - Actualmente uma pessoa estrangeira para obter a carta de condução tem que fazer o exame numa das línguas oficiais na Suíça. Acha bem que assim seja? IL - Eu, como portuguesa, e como sei das dificuldades que muitos têm com a Língua, eu acho que era mais positivo e até para a própria assimilação, que se pudesse fazer os exames nas línguas de origem de cada um, como acontecia anteriormente. Isso permitia às pessoas que aqui chegam e que desejassem tirar a carta, terem uma integração e uma assimilação quase normal…nos tempos actuais exige uma aprendizagem da língua muito rápida e isso por vezes não é possível e como tal cria algumas barreiras. AS - Já enfrentou alguma situação que se possa considerar pouco normal na sua vida profissional? IL - Sabe, como eu trabalho nisto há muitos anos, todas as situações são normais e o mais importante é sabermos dar a resposta adequada no momento certo. Existem por vezes situações muito particulares, mas não tenho nenhuma experiência negativa, antes pelo contrário. AS - Qual é o número de horas mínimas de condução para um aluno poder se propor a exame? IL - A lei não exige por enquanto, nenhum número de horas mínimas para se poder propor a exame… AS - Quer dizer que pode ir a exame apenas com 5 horas de aprendizagem? IL - A lei permite, repito, por enquanto, um aluno formar-se em casa com a família, o que não é muito positivo para nós…mas mesmo que os alunos trabalhem com a família nota-se uma procura dos alunos com os instrutores, no sentido de procurarem um nível mais profissional… AS - Está-me a dizer que um aluno pode propor-se a ir a exame sem frequentar uma Escola de Condução? IL - Exactamente. AS - Mas não existe uma contradição, ou seja, com os níveis de segurança que eles exigem e no final qualquer um pode ir a exame sem qualquer prova de que passou por uma escola? IL - Sim, as entidades estão atentas a essa situação e também estão atentas de que a segurança exige outras normas…o que é certo é que no dia do exame estão lá as pessoas certas para avaliar e posso garantir que ninguém passa sem estar capaz.
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