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Quem o afirma é Isaías Dias, conhecido empresário de espectáculos no seio da comunidade, essencialmente na zona alemã. A empresa Latinos tem vindo a ser um ponto de referência em muitas das festas que se realizam e assim quisemos saber o que é o Isaías Dias pensa da actual situação.
Adelino Sá — Como é que estamos a nível de festas e concertos na comunidade? Isaías Dias — Para a empresa Latinos, que está devidamente registada como empresa na Suíça, portanto, pagamos os nosso impostos na Confederação Helvética, trabalhámos muito com o mercado suíço e latino, Ou seja, temos contratos de aluguer e mediação de cantores com estes mercados. O mercado da comunidade portuguesa é muito complexo onde muitos se julgam empresários, só porque têm um número de telefone de um artista, tem vindo a sofrer alguns insucessos e nos dias que correm é preciso ter muito cuidado de como se organiza um evento, porque o fracasso é eminente. As festas na comunidade já não são o que eram… AS — Mas as festas ainda têm futuro na nossa comunidade? ID— Têm futuro, mas é preciso ver de como se fazem a coisas. Repare no caso do Rui Bandeira, que veio até à Suíça e não lhe pagaram, porque a organização não assumiu o risco do que estavam a organizar. As festas não podem ter nomes sonantes, mas sim aqueles que dão um mínimo de garantia. Porque se formos a ver na realidade, ninguém pode assegurar seja o que for. Existe sempre um risco e cada vez mais se organizam festas sem artistas, dado que efectivamente o risco é enorme… Mas é pena que as pessoas não se juntem e se faça algo que mereça a pena… e não foi só ao Rui Bandeira que não lhe pagaram, o Graciano Saga também se queixou… AS — Mas então qual é a situação actual a nível de eventos? ID— Tem-se organizado dois ou três grandes concertos anuais, com o Toni Carreira, que apesar de levar muita gente é também um investimento de grande monta. Um concerto do Toni Carreira implica dezenas de mil francos em jogo. Por exemplo, o filho, Micael Carreira, de todas as vezes que veio há Suíça, tenho muitas dúvidas de que os organizadores tenham ganho algo, pois 600 ou setecentas pessoas não pagam o investimento. Depois temos aquilo a que eu chamo um concerto popular de garantia, que é o Quim Barreiros. O Quim com o seu repertório popular ainda é uma forma de atrair muitas pessoas a um recinto, e o seu investimento não está de todo fora de preço. Se falarmos nos cantores populares que ainda têm algum nome, podemos incluir a Micaela, o Emanuel e pouco mais. O Leandro é também um nome muito interessante. As pessoas necessitam das festas, mas têm outras opções como os festivais de Folclore. A minha empresa felizmente que consegue ainda ter um vasto raio de acção. Só para falar na passagem de ano, no mercado português, conseguimos 12 contratos em toda a Suíça que, para os dias que correm, não podemos deixar de estar contentes. Mas também é o sinal de reconhecimento pelo nosso esforço e pela nossa dedicação. AS — Mas o que falta na organização da festas dos portugueses? ID— Falta acima de tudo humildade e seriedade. Não se pode vendar gato por lebre, nos dias difíceis que correm. E não se esqueça das dificuldades que existe em se conseguir patrocínios nos das de hoje. Não podemos esconder que ganhamos dinheiro no agenciamento de artistas, pois essa é a nossa vida. Mas fazemo-lo com transparência, que isso é o que muitos não têm. Depois há aqueles que se aventuram a pensar que vão ganhar fortunas e depois lixam-se. Volto a recordar o caso do Rui Bandeira.
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