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A paixão levou-o a ser Palhaço PDF Imprimir e-mail
14-Jan-2009
A palhaço animador da comunidade
O Palhaço animador da nossa comunidade

António Magalhães, é presidente da Associação de Pais de Chatel St Denis, mas também é palhaço quando o convidam. Nasceu no Peso da Régua e viveu em Torre de Moncorvo. Um dia passou pela vila uma companhia de circo ambulante e a paixão falou mais forte e, assim deu início a uma nova faceta; Palhaço. É pai de seis filhos e veio para a Suíça no ano de 1988. De Palhaço a Alfaiate, para depois abraçar a Construção Civil no país helvético. Adora as vivências da comunidade e dá todo o seu apoio a diversas colectividades. É ensaiador do grupo infantil de Folclore de Moudon.
 
António Magalhães; O Palhaço Animador

Adelino Sá  - Como é que um Alfaiate vem trabalhar para a construção civil na Suíça?
António Magalhães  -  Não é muito difícil de adivinhar uma alteração dessas na vida de um português desde que queira dar aos filhos aquilo que não teve quando foi criança. Portanto, eu tinha uma boa arte, mas numa zona pouco privilegiada, Trás-os-montes, na altura fiquei sem clientela, não ganhava o suficiente para sustentar e manter na escola cindo filhos para uma educação que queria dar, vim então para a Suíça e onde pude ganhar mais algum e dar-lhes a educação que têm hoje.  
A. Sá -  Como é que apareceu a aventura de palhaço?
A. Magalhães -  Ser Palhaço aparece na adolescência e quase que posso dizer que é o destino. Na altura eu não vivia na casa dos meus pais, vivia sozinho, e um dia passou uma pequena companhia de circo pela Vila de Torre de Moncorvo. Na altura eu tinha alguns problemas familiares e assim acabei por casar com uma rapariga que era filha de circenses e artista de circo…Image
A. Sá -  Assim apareceu o Palhaço e por quantos anos?
A. Magalhães -  Fiz de Palhaço durante dez anos. Foi o tempo que vivi no circo com a minha esposa e a família.  Quando a minha filha mais velha completou dez anos regressei à terra onde cresci, Torre de Moncorvo, para poder dar a ela e aos outros filhos a educação que a mãe não pode ter devido a ter crescido no circo.
A. Sá -  Foi difícil aprender a arte de ser Palhaço?
A. Magalhães -  Ora bem, tudo é difícil e tudo é fácil, depende da vontade e das circunstâncias de como começamos uma nova vida. Para mim considero que não foi difícil dado que eu alimentava na altura uma vida de palco, digamos assim, até porque eu estava inserido na família. Em poucos dias aprendi o que já esqueci, em grande parte.  Mas ainda faço qualquer coisa de vez em quando…
A. Sá -  Como  por exemplo hoje?
A. Magalhães -  Normalmente actuo como Palhaço Animador, como gosto que me chamem, em épocas como a que estamos a viver.  Por vezes não chego para todos os pedidos, recusei inclusivamente um de Zurique, dado que coincidia com a actuação de hoje (14 de Dezembro).  Em primeiro lugar está a Associação da qual sou presidente.
A. Sá -  É difícil de conciliar a faceta de Palhaço com a vida mundana?
A. Magalhães -  Não é difícil e eu falo por mim. Não difícil mudar a minha personalidade neste dois sentidos.  Ser trabalhador da construção civil, ser Palhaço, ser Presidente da Associação, da qual tenho muito orgulho, e doutras, como é o caso do Folclore, porque também sou o ensaiador do grupo infantil de Folclore de Moudon, sinto-me muito bem assim. Posso dizer que desde os meus doze anos que a minha privada e o que me dá prazer é estar metido em Associações e dar o meu melhor…
A. Sá -  Conheces mais alguém que faça também de Palhaço na comunidade?
A. Magalhães -  Não. Aqui na Suíça não conheço nenhum português que faça de Palhaço.
A. Sá -  Como é que fazes com o repertório, é sempre o mesmo?António Magalhães com a esposa
A. Magalhães —  Não.  O repertório que tinha, do qual já esqueci algumas coisas, tenho que ir de vez em quando ao baú da minha cabeça, para me tentar lembrar, mas eu posso dizer que um certo ano numa praia,  fiz juntamente com um cunhado meu, trabalhávamos em parelha de Palhaço,  fizemos 21 espectáculos seguidos, portanto 21 dias, com três entradas em, cada dia, e sempre diferentes.  E depois voltei a repetir, mais 21 dias, porque ao fim das três semanas de férias, vieram outras pessoas e assim nós continuámos com o repertório, que se formos a ver eram 66 números diferentes.
A. Sá -  Qual era o teu nome de artista?
A. Magalhães - Ora bem, eu trabalhei quase sempre na mesma companhia, que era familiar, a companhia Aguilar, que nos dias de hoje já não existe….portanto, eu fiz de tudo, o Palhaço Pobre, o Palhaço rico como fiz de animador…
A. Sá -  Então, apresentas-te nos dias de hoje como?
A. Magalhães - Como o Palhaço animador…
A. Sá -  E sempre pronto para a actuar em toda a Suíça?
A. Magalhães - Sim. Desde que me convidem estou sempre pronto para levar alegria e boa disposição a toda a comunidade portuguesa na Suíça.
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